Mapas, desenhos, relatos de viagem, atlas geográficos, preciosos fólios ilustrados, gravuras e livros: mais de oitenta objectos, pela primeira vez expostos, revelam uma extraordinária viagem da Europa longínqua à China que começou nos últimos decénios do século XVI e perdurou por mais de cem anos.
O primeiro a assentar em território chinês foi Michele Ruggieri que, com Matteo Ricci, construiu a pequena igreja Flor dos Santos na cidade de Zhaoqing. Depois dele muitos outros seguiram o mesmo percurso. São todos jesuítas famosos – Antonio de Almeida, Michal Boym, Martino Martini, Johannes Grueber, Albert d’Orville, Ferdinand Verbiest, Antoine Thomas – com a inefável figura de Athanasius Kircher, o genial autor da China Illustrata a pairar entre eles. Chegados a Macau, depois de uma longuíssima viagem de navegação, adentraram no grande império oriental, abrindo uma nova via ao conhecimento recíproco. Eram pessoas altamente instruídas, conheciam as ciências da terra e do céu, os calendários, a geografia, a música e a arte. Começaram por estudar a língua, a história e a religião da China. Graças à sua sapiência tornaram-se amigos de pessoas influentes, estamparam livros, escreveram poesias e revelaram à Europa um império bem organizado e talvez mais feliz que os outros. Seguindo a sua vocação, vinham para converter os chineses mas foram profundamente influenciados pela cultura oriental, muito mais do que tantas censuras nos deixam acreditar.
Macau foi a forja desta extraordinária experiência, local onde se criaram os instrumentos necessários à empresa de que muitos macaenses foram os verdadeiros e corajosos protagonistas.
A maioria dos objectos expostos provem da colecção do Archivio di Stato di Roma e de outros arquivos e bibliotecas de Itália, mas outros vieram de França, de Portugal e de MacauComo em toda a viagem feita com seriedade seremos estimulados a reflectir, a confrontar e a estabelecer uma ponte efémera entre duas civilizações distantes. (Prof. Eugenio Lo Sardo)